12 de dezembro de 2010

Ponto de fuga.


Uma janela aberta, uma porta aberta, um trinco esquecido sem trava... Tudo o que ela queria era poder fugir.

Atravessar as fronteiras do Eu e seguir por onde ninguém a conhecesse, ninguém a impedisse de buscar a identidade que há anos perdeu.Quantos anos? Nem ela mesma se lembra...

Ela só se recorda do que não pode esquecer, estragaram o seu sonho por mais de uma vez, tolheram-lhe as asas sempre que tentou voar um pouquinho mais alto. Cravaram estacas à sua volta, para que não corresse e deixaram-na ali esquecida... Mas ela se recorda de quem foi; tem sede de vida, busca, mesmo com limitação, a sobrevivência e mais do que tudo a felicidade.

Não deixarão que parta sem sofrimento, sem que seja dolorido para alguém ...Sem um impulso e sem as asas ela não voa mais...

As lembranças a machucam, não são mais de felicidade ou de saudade, são de dor e pesar, nunca mais ela será como foi um dia, quando tinha o tempo que quisesse pra fazer o que quisesse.

A vida é uma, mas as chances são inúmeras, talvez ela ainda possa se refazer e fazer a sua jornada mais feliz e menos árdua, transformando seus sonhos em realidades, ainda que virtuais.

Sonhar é tudo o que resta por enquanto. Querer, fazer, ser e sentir estão em seus planos futuros, num futuro próximo, bem próximo.

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