4 de dezembro de 2010

A personificação da Alma.

Os demônios bem que tentaram conspirar contra o encontro tão esperado, mas a cidade, mesmo nublada e fria, aqueceu a Alma, fazendo mais ainda com que ela quisesse arder.
As bocas finalmente se encontraram aos beijos... Beijos deliciosos e lascivos que pareciam um dos "poemas proibidos" de Drummond.
As mãos tocavam acariciavam e se tocavam, como as de um cego às escuras que tateia o objeto desejado e o desenha com a ponta dos dedos.
Abraçaram-se, sentiram-se reais enfim, descobriram que existem... Ele a descobriu como na música de Björk "Nascida no escuro, em chamas, vivendo por si mesma...quando ela faz é porque realmente quer fazer..."
As bocas que buscavam além das bocas praguejavam o local público.Queriam muito mais um do outro do que podiam ter ali. Entregaram-se aos abraços naquele momento, sendo, sentindo...
O perigo tornava o momento mais tenso, mas nem por um segundo a culpa ou o medo se fizeram presentes.
As interrogações nas janelas da Alma persistem, os desejos aumentaram, a sede se intensificou, tornando a espera um inferno de incertezas.
Mas mesmo que os demônios conspirem contra eles, ainda assim, nem que seja uma única vez, se entregarão à luxúria e sucumbirão ao desejo de ser um do outro, onde só estejam os dois, prontos e dispostos a queimar no inferno juntos.
Vagarosa e lascivamente os joelhos dela encontrarão seu destino e deliciosa e lentamente, causando tremores que não serão de frio, como um vampiro que suga sua vítima, o fará chegar ao êxtase e querer mais e mais dela. Sua boca e língua percorrerão cada centímetro do corpo dele, degustando, saboreando e se deliciando dele, até que ele reaja novamente e dê a ela o que ela quer.
Com os movimentos ainda no ritmo de Björk, os quadris se moverão e ela se eriçará ao mais leve toque, como uma gata no cio.
Seus cabelos servirão de rédeas e ela será um corcel sob ele, selvagem, mas domável e ele se fartará de Alma...
Terá o gosto dela na boca, verá através de seus olhos verdes, a terá nas mãos e fará dela o que quiser.
Não existirá espaço, tempo, ou outra coisa qualquer que os separe. Serão duas almas no purgatório, ardendo, queimando um dentro do outro. Exalando tesão pelos poros, suando, derretendo de prazer...
Os sons produzidos por eles serão palavras desconexas carregadas de orgasmo , entre gemidos, urros e sussurros descuidados...
O mundo não existirá naqueles instantes, deixarão de ser dois e se tornarão um só corpo, sem fim ou começo, com uma única alma, buscando a quietude de ser, estar e sentir...Prazer...

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