20 de fevereiro de 2012

Reflexões tardias sobre você.

                 Você é o mediano, o vulgar, sem expressividade, é o estagnado, aquele que se acomodou dentro de seus limites estreitos e que, ainda assim, acredita estar um passo à frente dos mortais.
                 É  negligente, mas crê que sua postura diante da vida e das outras pessoas é a ideal, pois  “a seu ver” é dessa forma que se coloca em vantagem. Julga-se um excelente observador, mas é completamente inábil neste aspecto     
                 É aquele que se acha crítico, mas é alienado, pois enquanto critica a mim, o meu trabalho, as minhas atitudes,  não percebe (ou se recusa a perceber) que sua vida, seu trabalho e suas atitudes são, no mínimo, improdutivas, estéreis.
               Acredita que o conhecimento é, não um bem comum, mas algo que pode ser apropriado (unicamente por você) e que existe uma verdade única, absoluta, inquestionável.A sua. Faz isso porque tem preguiça de refletir, de debater, de questionar e quando tenta agir desta forma fracassa, pois é intelectualmente limitado e não consegue elaborar argumentos consistentes que sustentem suas afirmações.
            Cria para si uma realidade paralela, na qual todos lhe são inferiores e subordinados. Usa isso como mecanismo para sentir-se mais capaz e disposto. Isolado nessa ilusão, não sabe lidar com as frustrações do mundo real.
            Não consegue ser diplomático, é autoritário, forja uma autoridade que não possui, ou se faz valer da de amigos e conhecidos, para se impor sobre os demais; possui recursos culturais, mas não sabe fazer bom uso deles.
            Enxerga a arte e a literatura como artefatos estáticos, inertes, meros adornos que servem para rebuscar a sua pseudo-erudição. É incapaz de explorar as entrelinhas, pois a sua visão é superficial, está presa ao óbvio e recrimina aqueles que têm um raciocínio independente, acreditando que o fato de não aceitar suas análises impedirá o desenvolvimento de suas reflexões.
            Julga-se  completo, acha que ninguém tem nada de bom para lhe oferecer, pois tudo o que existe de proveitoso já está contido em você. E dessa forma se torna vazio, sem conteúdo, infértil.  Age como se o respeito fosse unilateral, exigindo de todos e não dando a ninguém. É arrogante, presunçoso e soberbo, o que só revela sua fragilidade e seu desequilíbrio.
           Em última análise, um fracassado. Mas seu fracasso não é material, é subjetivo, interior e se exterioriza através de suas atitudes mesquinhas,  de usa cupidez. Fecha-se em uma redoma de arrogância e acaba condenando-se a um estado de ignorância provocado não pela falta de acesso ou por condições precárias de sobrevivência, mas pela opção por uma vida pequena e vulgar. Acredita ser superior, mas se esquece de que está cada vez mais imerso na vala comum da pobreza intelectual, espiritual e emocional.
         No mais, Boa sorte.

17 de fevereiro de 2012

Absorta.

É inevitável pensar em você...
Em mais uma noite dessas; que passa isolada.
Resto-me perdida em pensamentos
E tento, em vão,
Abraçar as lembranças do tempo que se alonga...
 É nesta nostalgia de pensamentos, que me derramo em saudades,
Que recordo quem fui
Que consigo olhar para trás e me orgulhar;
Não dos passos que dei,
Nem de todos os caminhos que percorri,
Mas de quem eu sou hoje.
Tenho consciência de que poderia ter dado mais de mim.
Poderia ter feito muito mais em alguns momentos.
 Simplesmente me sentei, parei
Permiti-me  ver a vida sem pressa.
E foi sem essa pressa
Que nunca alcancei o desejo que meu corpo ambicionou,
Que a minha alma sonhou.
Foi sem essa mesma pressa
Que não parti deste lugar onde fiquei
 Sentindo o afago das palavras que me disse
E que ainda hoje me ajudam a perceber
 Que a vida é um como um simples pedaço de papel
Repleto de poesias... Porque o pensamento é eterno.

9 de fevereiro de 2012

Às vezes não é sempre.

Não entende o porquê de sentir
Apenas se permite sentir...
 Segue na contramão
Distribui sorrisos
Enquanto lágrimas saltam aos olhos
Lavando a alma
Libertando o coração
Às vezes a solidão satisfaz, em outras sacrifica...
Às vezes tudo é nublado, em outras  faz clarear...
É tudo tão intenso e incerto!
Inexplicável...
Às vezes precisa abster-se  de sentir
Isso dói... Corrói...
Então se entrega
Mostra-se
Permite-se
Sente
Existe
Se  refaz
Renasce!

8 de fevereiro de 2012

Delírios


Quem sou eu?
O que quero?
O espelho me mostra tantas...
E ao mesmo tempo, nenhuma.
Quero o  tudo, quero o nada.
Procuro-me aqui, ali...
Não me encontro.
Onde me encontrarei?
Talvez na imensidão do meu  eu.
Talvez esteja lá
Perdida
Dormindo
É... Talvez esteja lá!

5 de fevereiro de 2012

Vazia.

Uma tristeza sem motivo aparente,
uma vontade de chorar...
Uma dor que não é física.
O que a consome hoje não tem nome,
nem sentido, muito menos um significado.
Ela simplesmente vaga por caminhos que,
apesar de conhecer,
lhe parecem tortuosos demais
e a dilaceram minuto a minuto.
Tudo parece perfeito aos olhos alheios,
tudo caminha tranquilamente
por lugar nenhum
e já não há mais caminhos a seguir.
Mantém-se estática em meio ao tempo
que se arrasta em direção ao nada
perto ou longe daqui.
Não resta nada além de cacos
no entorno do que deveria ser sua vida
vazia, seca... Oca.

3 de fevereiro de 2012

Janela Virtual

Vou abrir as janelas
do meu computador!
Entre!
Traga-me
Este delicioso sorrir
Estes seus sons que não ouço há tempos!
Diga-me
Suas histórias de idade, de viagens...
Eu não posso olhar em seus olhos,
Mas eu sei sentir seus olhos,
E suas palavras
Siga em frente
No meu coração.
O mundo parece tão pequeno
Por trás desta rede!
E você só,
Eu não sei onde...
Sem passaporte,
Você cruza a fronteira,
O limite do impossível,
E traz paz e consolo,
Uma palavra, uma paga
E belas flores
Sem perfume,
Mas isso é um bálsamo
Para a alma ...
Vou abrir as janelas
Assim, você pode entrar! ...
Tomar um café
Contar-me sobre você,
Permitir-me  rir o seu riso
E deixar-me enxugar suas lágrimas,
Se necessário.
Você não é apenas um nome
Escondido atrás de uma arroba,
Você tem uma alma
E asas,
Como os anjos de verdade ...
Você tem um "eu"
Que precisa e deve ser respeitado,
Que precisa  ser amado.
Do virtual à realidade...
Meu café não tem sabor
E meu bolo também,
Quando eles são virtuais.
Mas meu carinho
E meu amor
São, em toda a rede
Tudo o que tenho de mais real.
Assim! ...
Sem bater!
Sente-se!
Há bolo, café,
E carinhos,
Apenas esperando por você
Por trás dessa tela de computador...