14 de dezembro de 2010

N.D.A.



Nenhuma das alternativas está correta, ou não se tem alternativa.

E nada muda o que se passa na cozinha do inferno, ninguém é capaz de enxergar através da chuva que despenca ácida, queimando o pouco de dignidade que ainda existe nesse lugar.

As pessoas continuam levando suas vidas, enxugando as lágrimas que caem junto com a água que vem de cima, lavando o caos.

Os mesmos assuntos, a mesma conversa, as mesmas pessoas, nada de novo, só o cheiro da cozinha do inferno mudou. Tem cheiro de lodo, de água podre que transborda da imensa privada bem no meio do caldeirão.

E as pessoas se assemelham à dejetos e flutuam no meio da água que continua subindo...

Seres humanos em decomposição diária, correndo contra o tempo que já não existe, ninguém tem tempo pra nada, nem pra ninguém. Cada um preocupa-se apenas consigo e a vida vai morrendo a cada dia.

O túmulo bem decorado no meio do cinza, pisca, pisca, pisca, pisca.... Ofusca e ilumina o caldeirão que ferve e evapora cada dia mais rápido... Os carros não passam, as latas pararam, e o barulho se ouve estridente, como ambulâncias pedindo passagem , mas a passagem não se abre, os corações não se abrem, as portas não se abrem... E os livros se fecham, os olhos se fecham, os punhos se fecham, os caminhos se fecham... Todas as alternativas se esgotam, não há como assinalar nenhuma das alternativas...

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