Costumo dizer que o fundo do poço é o melhor
lugar pra se estar, que se o fundo chegou é porque não dá pra cair mais, que só
resta lutar para subir à tona novamente. Por isso gosto das perdas que me tiram
tudo, assim, dá pra sentar em mim, olhar ao redor, e ficar. Até redescobrir a
força e as possibilidades de recomeçar. Mesmo sabendo que as piores perdas são
aquelas forjadas por pura negligência:
Quando se negligencia o amor,
perde-se quem se ama.
Quando se negligencia o perdão, perdem-se os amigos
que o merecem.
Quando se negligencia a saudade, mantem-se a
distância, e se fica sozinho, vazio.
No mundo real, onde nem tudo são flores, é
inequívoco que, infelizmente, as pessoas costumam julgar pela aparência. É
praticamente impossível encontrar alguém que nos julgue unicamente por nossa
essência. É até compreensível, pois é muito mais fácil, porém, com este hábito,
grandes erros de avaliação são cometidos, e muitos deles acarretam enormes
decepções e até mesmo prejuízos de toda espécie.
Muitas vezes, os sinais são evidentes, mas, parece
que enganar a si mesmo traz vantagens. Pode ser que em curto prazo, mas, em
longo prazo as perdas serão inevitáveis. Parece que o TER passou a valer mais
que o SER, que o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais
que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus.
É preciso aprender que o que foi perdido não tem
volta, que na vida, as perdas são algo
que se tem que aceitar e que
aquela historinha de que o que vai volta, é uma mentira universal.
Aprender que o apego só causa a dor e a desgraça e que, se for escolher amar, não ame, pois dói menos.
Aprender que o apego só causa a dor e a desgraça e que, se for escolher amar, não ame, pois dói menos.
A vida se aprende nas perdas. É perdendo a
liberdade que se descobre que não se
encaixa, é perdendo alguém que se descobre que não vale a pena lutar por
futilidades, é perdendo o apoio que se descobre que o resto do mundo não para
só porque nosso mundo parou. Nós aprendemos a viver assim: na marra, no grito,
no sufoco, no impulso.
O tempo nos mostra que não há
nada em se superar na perda, mas sim se superar a cada dia, no dia a dia
que nos mata lentamente, que nos faz perder um pouco
de cada dia na perda do dia a dia.
Assim, há muitos dias da vida que se tenta mudar ou recuperar um tempo perdido que mal se sabia que faria tanta falta nos dias de hoje.
Dias que hoje, nos lembram de que ontem seria melhor, se fizesse parte do agora.
Assim, há muitos dias da vida que se tenta mudar ou recuperar um tempo perdido que mal se sabia que faria tanta falta nos dias de hoje.
Dias que hoje, nos lembram de que ontem seria melhor, se fizesse parte do agora.
