14 de janeiro de 2013

Coisas de menina



Não me lembro de ter andado dentro dos carrinhos no supermercado, mas sei que já fui do tamanho ideal.

Não me lembro de alguém ter dado beijinhos milagrosos nos machucadinhos da infância, nem de chorar apenas por estar triste ou sorrir apenas por estar alegre.

Não me lembro de brincar na rua com outras crianças, nem de andar de bicicleta pelo bairro, de subir nas árvores, de jogal bola, brincar de boneca ou de casinha...

Mas me lembro de cadernos e canetas, de uma máquina de escrever verde, de livros didáticos bem antigos, das cópias da cartilha...

Me lembro de um violão que tocava Nika Costa, de um cachorrinho de pelúcia bege que latia e andava à pilhas...

Lembro de sonhar com uma boneca que dava beijos, de escrever nas paredes de tábua compensada vermelha com giz de cal...

Me lembro de prestígio da nestlé ... ( o único chocolate que como até hoje).

Lembro de ir pra escola de perua escolar e da mamãe me acenando de longe...

Me lembro da tia" Balila" e dos meus primos Tuti, Nenê e Silvinho, que eram meus babás às terças-feiras...

Me lembro do tio "Canja" tomando mupy de canudinho...

Me lempro de pensar que o cavaquinho do tio Gilmar era um violão para crianças e de brincar de pega-pega com o Juninho...

Me lembro do cheiro do pão quentinho da padaria que ficava embaixo do apartamento em que eu morava...

Me lembro da catapora que tive aos 5 anos e da farinha láctea que meu avô comprou pra mim...

Lembro de ter tido caxumba e da boneca que ficava ao meu lado na cama...

Me lembro da macarronada e do frango que minha avó fazia aos domingos e dos pudins de leite condensado que meu avô amava...

Me lembro de calçar os tamancos da mamãe e de levar uma queda na escada do quintal...

Coisas de menina, coisas de criança...

Mas não me lembro de ter me tornado mulher,

Não me lembro, ou não quero lembrar...

Queria voltar a ser apenas uma menina.

11 de janeiro de 2013

Amor



Ele me chama
Me inflama
Se faz chama...
Me queima e corrói
Dói
Me Instiga
Me mastiga
Tritura , esmaga
Me estraga
Me drena, condena
Envenena
Sem pena...
De longe
Me acena
Adeus!
Não quero
Espero
Me desespero
Te quero...

3 de janeiro de 2013

(Re) renovação

     Outra vez o ano se inicia, o ciclo se renova e as pessoas fazem promessas de ano novo. Promessas estas que dificilmente se cumprirão... Vou parar de fumar, vou guardar dinheiro, vou me dedicar mais ao trabalho, ou ao lar... Coisas que se diz no momento de comemoração, de comoção e bebedeira.
      Eu decidi que não faço mais nenhuma promessa; primeiro porque não as cumpriria se fossem feitas assim, de supetão, segundo porque quando se deseja realmente realizar algo, não se sai alardeando aos 4 ventos em meio a fogos de artifício e taças.
      Aprendi que se deve perdoar, esquecer e começar de novo no primeiro dia do ano e nem mesmo isso eu consigo... Sim, sou fraca, não sei perdoar, não esqueço, e guardo mágoas eternas. Não acho bonito admitir, nem acredito que vá mudar em relação a isso, se tivesse de fazê-lo, já teria feito, simplesmente é parte de mim, mas aprendo com meus erros, então pode-se concluir que estou em constante aprendizado.
     A vida nos prega peças e seguimos remando contra uma correnteza incessante e quando já quase sem forças chegamos ao destino almejado, percebemos que nada fizemos, que foi tudo um jogo que acabou sem vencedores, um empate sórdido e cruel entre a vida e a descrença no futuro.
    Amarguras que chegam e nos cercam, secam as lágrimas e atrofiam os sonhos de um coração que, desejoso de calmaria, se atira ao mar, esperando que as ondas o embalem.
    No mais, apenas a esperança de mais um ciclo, um ano novo, acalenta a alma de quem ainda espera...