30 de março de 2012

O desgoverno que me governa

Nau à deriva.
É assim que me sinto, sem direção,com o leme rodando como um cata-vento.
Como um ponteiro que não marca hora nenhuma, tempo nenhum;
nem para começar, nem para terminar.
Sem tempo de sentir nada, de fazer nada por mim...
Sem vontades ou desejos, sem angústias ou temores.
Sem inspiração, sem palavras, sem nada que valha à pena.
Desgovernada,
ou governada pelo vazio de não sentir mais nada.
Apenas um vestígio do que fui um dia,
de embarcação ao leo, me transformei
num mero barquinho de papel...
Em contato com o mar real me desmancho;
e então me acabo!

16 de março de 2012

Um quadro ou auto-retrato...

Engana-se quem pensa que sou uma...
Sou várias,
nunca sei quem vou acordar amanhã,
como serei...
Sei quem fui pra você,
ou talvez não saiba,
sei quem quero ser pra você...
Realidade.
Nada pintado, estigmatizado
forjado como ferro no fogo...
Algo calmo,
denso, intenso,
fonte dos desejos mais insanos,
o norte da  bússola,
o porto, a chegada...
Em outra vida?
Eu espero...
Não vou morrer em paz,
vou virar alma penada...



2 de março de 2012

Sentir é o que menos importa.

Engana-se quem  pensa que chorar faz bem.
O choro, ao invés de desaguar as mágoas, represa os sentimentos mais escondidos, mantendo-os alí, esperançosos de um dia poderem sair e finalmente renascer das próprias cinzas, tal qual uma fenix incandescente e intensa.
Cada uma dessas lágrimas que teimam em rolar pela face, confundindo-se com as gotas da chuva que lava a alma; fere como uma punhalada certeira e dolorida no coração, que de repente, não passa de uma bomba para que não se venha à óbito.
Insensato, incoerente, inconsequente, não importa...
A única coisa que realmente faz diferença, é que ele existe e teima em doer...
Um simples coração, que machuca e  faz sofrer quem o mantém dentro de si, ainda que alheia à própria vontade, afinal, não se manda no que se sente, apenas se sente; e na altura em que estão os acontecimentos,sentir é o que menos importa.