Busquemos a união e a força uníssona de um grito de paz e felicidade.
Que venha 2011 e que seja muito melhor!
Busquemos a união e a força uníssona de um grito de paz e felicidade.
Que venha 2011 e que seja muito melhor!

A chuva cai cadenciada no telhado, como que marcando o ritmo das batidas do meu coração.
E nesse compasso vai brincando com meus sentidos, mostrando em cores únicas um universo de possibilidades que se abre à minha frente.
São tantos os obstáculos, tantas idas e vindas, que não consigo visualizar um futuro, talvez seja uma espécie de agnosia.
Releio um passado não tão distante e me sinto tão viva quanto meu coração ritmado ao embalo da chuva.
Depois da tempestade vem a calmaria, então penso nesse distanciamento como uma tempestade, cheia de trovoadas e relâmpagos, que me prova que eu sinto medo de perder você.
Mas junto com o medo tem muita água, lavando todo resquício de dúvida, toda a incerteza que a vida traz pra mim.
O cheiro do estio é delicioso, me revela sensações coloridas como o espectro que se forma fazendo uma ponte entre o Céu e a Terra... Dois opostos... Nós dois.
O sol volta a brilhar e com ele os meus olhos seguem buscando a calma, a tranquilidade e a felicidade de sentir e estar ao seu lado, apenas caminhando, seguindo nossas vidas separadas... O Céu e a Terra.
Perdem-se horas do dia tentando encontrar sentido ao que já não há. Pensa-se e repensa-se mil vezes se o que se sente é real, não se pode acreditar que a vida pare e deixe esse sentimento agir.
Um sentimento que, proibido pela moral e bons costumes sociais, afetaria mais vidas do que se possa imaginar.
Há que se viver o momento sempre, fazer com que as oportunidades surjam e se concretizem; pedir, implorar, convidar a felicidade para a vida. Mas nem sempre a felicidade está disposta a dar o ar da graça...
O ano acaba e as coisas continuarão iguais, nem sempre é possível alterar a situação em que as almas se encontram. E nem mesmo fazer com que se encontrem.
A alma caminha rumo ao nada, sem futuro, sem norte, sem nada que a faça ter esperança de encontrar a felicidade.
Talvez a felicidade esteja bem em frente aos olhos verdes, mas ela não enxerga, e deixa-a ir embora, ou simplesmente pede que se retire, não acreditando que seja real mesmo. Ignora, deleta, bloqueia...
Sempre a mesma história, repetitiva e cansativa, estar ou não depende só dela. Sentir depende de mais alguém.
Sentir além dos cinco sentidos é possível, basta acreditar.
O sexto sentido existe e persegue até nos momentos mais inusitados.
Percebe-se a presença de alguém que não está ali, sente-se um perfume que não está em ninguém por perto, encontra-se um rosto na multidão que não esta lá...
A presença, sempre ali, não deixando esquecer que existe.
Uma insanidade temporária com um tempo que não acaba.

Existe?
Sim e vejo tulipas nas pernas como Oscar. Coisa de poeta.
Poderia jogar uma colméia de abelhas num quarto fechado, apenas para ouvir os gritos dos que estivessem lá dentro.
Faria uso de espadas e punhais para ferir os que me odeiam.
Há moedas em meus olhos e meu corpo queima em chamas, é incinerado. Só me resta a alma e ela voa junto com o verde do copo rumo ao meu interior, me conhecendo por dentro gole a gole, palavra a palavra, linha após linha.
Um exército parte para a guerra dentro de mim, suas bandeiras flamulam a cada sopro de ar que inspiro e tudo o que consigo sentir é uma agitação, um leve bambear de pernas e um torpor suave como o amanhecer de um dia de verão, quente como o sol de meio-dia. Arde, ofusca e acalma.
Sinto sede, a cada gole mais sede, mais vontade... E uma flecha certeira me atinge a jugular, sufocando, afogando meus pensamentos nesse mar verde – anis.
A união do ternário e do quaternário...
Espírito e matéria
V i r t u a l
D e s t i n o
Sete letras
Sete anos de diferença...
Sete dias na semana
Sete cores no arco-íris
Sete notas musicais
Sete chakras principais
Sete animais aos pares
Sete dias de estiagem
Sete deuses-astros
Sete corpos existenciais
Sete letras no seu nome
A mais antiga equação espiritual
3+4=7
▲=♂=3
▄ =♀=4
Sete vidas pra te amar...
Já restaurei as configurações e não deu certo, tentei executar um assistente de limpeza e não funcionou, excluí algumas coisas, desocupei pastas, fiz um backup do que queria manter guardado... Nada otimizou o funcionamento do meu cérebro.
Preciso de alguém que me formate e me deixe como nova, na velocidade adequada, no ritmo certo para minha vida.
A virtualidade e dualidade dos meus sentimentos me confundem; confronto-me com meu Eu e não vejo semelhança alguma, o download nunca termina e os uploads são inúteis.
As imagens estão sempre destorcidas no meu monitor, e não monitoro nem mesmo minha consciência.
A facilidade adquirida com a tecnologia abstrai de mim muito mais do que eu poderia sequer imaginar. Priva-me até de meus sonhos... Priva-me da realidade dos sentimentos.

P.essoa E.special
E.ncanto P.essoal
E.strada P.razeirosa
E.strela P.rateada
E.u P.rata,
Prates, E.le...
P.ra te sE.ntir
P.enso E.m
E.star P.endendo
P.artindo, E.nlouquecendo
E.ntão P.ondero
E.star P.odendo
E. P.osso E.star P.ercebendo
P.recioso E.ncantamento
E.maranhando P.ercorrendo
E.nlaçando P.rendendo
E.stando P.edindo
E.P.
E.ntão P.eço
E.nlouqueça
P.ermaneça
E.P.onto.

Tantas dúvidas norteiam minha mente agora... Tantas dúvidas, quantos são os grãos de areia nesse oceano imenso que você se transformou. Misterioso e traiçoeiro. Ora meu calmo e tranquilo transmitindo paz, ora indeciso e revoltado, rebentando na minha praia.
As horas se arrastam nada parece no lugar, o tempo faz e se refaz na minha frente como se quisesse me mostrar que me controla.
Não consigo deixar de pensar em você, tudo está sem sentido.
Precisava muito da sua voz, do seu toque, dos seus olhos me fitando, profundos como o mar alto que se abre ao meu redor... Estou no meio dele me afundando em lembranças e saudades.
Atravesso as ondas, tento te alcançar, mas é inútil, você está cada vez mais distante e mais ausente da minha vida.
Sinto falta das conversas, das noites em claro, dos cigarros queimando entre os dedos enquanto me preocupava somente em ouvir e falar...
Ainda espero por você todas as noites em vão, pois você não vem mais, me deixou sozinha, me ensinou a te amar, te desejar, concluí o curso, e hoje posso dizer que estou pós-graduada na arte de sentir.
Sinto um pouco de tudo e muito de nada...
Tudo está vazio, há um abismo dentro de mim desde que você se foi.
Sinto você, sinto seu cheiro, seus beijos, o carinho, os toques; e a saudade só aumenta.
Como eu tiro você daqui? Essa parte você não me ensinou...





Uma janela aberta, uma porta aberta, um trinco esquecido sem trava... Tudo o que ela queria era poder fugir.
Atravessar as fronteiras do Eu e seguir por onde ninguém a conhecesse, ninguém a impedisse de buscar a identidade que há anos perdeu.Quantos anos? Nem ela mesma se lembra...
Ela só se recorda do que não pode esquecer, estragaram o seu sonho por mais de uma vez, tolheram-lhe as asas sempre que tentou voar um pouquinho mais alto. Cravaram estacas à sua volta, para que não corresse e deixaram-na ali esquecida... Mas ela se recorda de quem foi; tem sede de vida, busca, mesmo com limitação, a sobrevivência e mais do que tudo a felicidade.
Não deixarão que parta sem sofrimento, sem que seja dolorido para alguém ...Sem um impulso e sem as asas ela não voa mais...
As lembranças a machucam, não são mais de felicidade ou de saudade, são de dor e pesar, nunca mais ela será como foi um dia, quando tinha o tempo que quisesse pra fazer o que quisesse.
A vida é uma, mas as chances são inúmeras, talvez ela ainda possa se refazer e fazer a sua jornada mais feliz e menos árdua, transformando seus sonhos em realidades, ainda que virtuais.
Sonhar é tudo o que resta por enquanto. Querer, fazer, ser e sentir estão em seus planos futuros, num futuro próximo, bem próximo.




Sinto medo do escuro da minha vida.
Estou em lágrimas e choro por sua causa. Quebre a parede entre nós que eu coloco meu orgulho de lado.
Não dificulte as coisas, eu já sofri o bastante.
Não sei o que fazer com este sentimento aqui dentro, a solidão virou minha companhia.
Sem você, eu não sou nada.
O que devo fazer? Continuar dormindo nesta cama sozinha?
Você é o motivo pelo qual eu vivo e morreria, você é o motivo que eu dou quando não aguento mais e choro.
Não há uma explicação, só um pedido de socorro...
Me salve desta noite e de todas as outras.

Flor de raro perfume que parece uma fortaleza, mas se despedaça por qualquer motivo. Me entende me apóia, me incentiva... É minha amiga!
Supera os obstáculos com a maior classe, corre atrás do que quer, passou por poucas e boas e sempre que pode atravessa a cidade pra me ver, é minha irmã mais querida. A irmã que Deus me deixou escolher...
É ela quem ouve meus problemas, minhas conquistas, minhas loucuras... É a ela que eu escuto todos os dias, é pra mim que ela conta os problemas e as soluções da vida dela.
Nunca acho que é suficiente o tempo que dedico a ela, sempre penso que poderia ser mais... Mas o tempo... O tempo... Nunca dá tempo!
Entre um monte de “filosofias de boteco” sempre tem uma lição de vida, ou de mim pra ela ou dela pra mim.
É minha “Angel From Hell”, caiu do céu na minha vidinha, e veio pra ficar pra sempre! Nunca vou deixá-la sozinha amiga... Estarei sempre aqui pra você, bem no meio do caldeirão do inferno!

Meu anjo...
Esta noite sonhei que o mar nos separava, e que a distância era a imensidão. Acordei e percebi que o sonho era real.
A distância que você criou entre nós é imensa, um mar aberto cheio de incertezas e ondas enormes que nos desequilibram.
Eu iria até você, mas não sei nadar, e você não me ouve chamar... “Estou aqui!” Então o que me resta?
Esperar a ressaca passar e a violência do mar abrandar, sentir saudades e viajar entre um sonho bom e outro, desejar que você ainda me queira um dia e que as flores que jogou pra Iemanjá me levem até você.
Assim, me sentindo sozinha, continuo no porto a espera de uma embarcação segura, buscando calma no meio do caos, pegando conchinhas pra colocar no aquário que se tornou a minha vida.
E o aquário sempre me surpreende... Um dia está meio cheio, em outro meio vazio...
Há dias que preciso recolher as conchinhas uma a uma, como cacos caídos de mim, em outros o aquário transborda felicidade.
Não posso mais suportar o vai e vem das ondas, quando elas se vão levam uma parte de mim e quando voltam procuro você e não encontro.
Me resgate, ou me deixe morrer afogada, mas não me torture mais... Prefiro sofrer de uma vez e te deixar no meu passado pra sempre, a ser dilacerada aos poucos pela dor de não ter você no presente.
Renato já sabia disso: “... é sangue mesmo, não é merthiolate... todos querem ver e comentar a novidade, tão emocionante um acidente de verdade, estão todos satisfeitos com o sucesso do desastre... vai passar na televisão...”.
Tenho verdadeiro pavor de baratas – coisa de mulher – e as vejo circulando no mesmo lugar onde estou sentada com a medicação na veia, tranquilas, senhoras do lugar, só faltou um jaleco branco em cada uma e um estetoscópio no pescoço que elas não têm. Há mais baratas do que pacientes e profissionais da saúde nesse lugar.
A ambulância anuncia estridentemente sua chegada, todos saem correndo da enfermaria... “ atropelamento!” ouço; e todos somem. Dos 4 pacientes no quarto que eu estive só restei eu sentada numa maca, com música nos ouvidos, balançando as pernas como uma criança no balanço do parque esperando que voltassem.
Quando voltaram – os pacientes, porque o único médico de plantão estava na emergência – começaram os comentários, baixei o som claro para poder ouví-los, mas não retirei os fones nem abri meus olhos para não ver as baratas passeando.
“ Nossa! Esse moço não vai aguentar não!... Não mesmo, você viu a cabeça dele? Parecia uma macarronada de tão vermelha que estava...”
Acho que não vou comer macarrão tão cedo – pensei.
“Será que ele não usava o capacete?... “será que já avisaram a família” “O motorista do caminhão tava bêbado... Falei com o policial que veio na ambulância e ele disse...”
Mudei o foco da minha atenção, abri o soro para aquelas gotas caírem mais rápido, sairia de lá mais doente se permanecesse ouvindo aquilo, mas não aumentei o som. Continuei ouvindo aquela conversa de comadres – provavelmente elas nem mesmo se conheciam, mas a desgraça aproxima as pessoas – Elas mataram o rapaz acidentado, disseram até que o caixão teria de ser lacrado porque ele estava “muito feio”.
Meia hora depois do “acidente – incidente”, meu soro terminou de correr na veia, o enfermeiro retirou o escalp e eu saí do quarto.
Na recepção me deparei com uma senhora chorando, parei alguns instantes e pude verificar que era a mãe do rapaz acidentado, me aproximei dela e perguntei o que estava acontecendo e ela me contou:
“Moça, meu filho sofreu um acidente de moto, ele estava com o amigo dele, não estava de capacete e machucou um pouco o rosto, quebrou uma perna, mas agora ele já está melhor, eu estou chorando porque a gente paga imposto e cumpre todos os deveres de cidadão, e quando chega ao hospital não tem nem máquina de RX nem médico e as pessoas tratam a gente como animais, não falam nada, não dão informação, só sei que meu filho quebrou a perna porque dava pra ver o osso... estão esperando a ambulância pra levar ele pra Santa Casa...”
Engraçado, o rapaz teve uma fratura exposta, e as comadres no quarto da enfermaria providenciaram até um caixão lacrado pra ele. As pessoas divertem-se com tragédias e a Santa Casa... De santa não tem nada... Serve a vida de brinde numa tigela de cereal, quando tem cereal...
