30 de novembro de 2010

Correção gramatical.

Ele pediu sua ajuda com a correção de um artigo para a publicação em um jornal. Ela prontamente concordou em ajudá-lo e marcaram um horário compatível para os dois na biblioteca.
Quando ela iniciou a leitura, não conseguia concentrar-se no que lia, a presença dele era perturbadora, e em meio às regras de ortografia, ela imaginava cenas que não cabiam no contexto histórico do artigo.
_ E então, o que acha? Ele perguntou.
_ P-E-R-F-E-I-T-O! Ela respondeu à pergunta que ele não fez...Ele falava do texto, e ela falava dele...
Mas ele logo percebeu as intenções por trás dos óculos que camuflavam os olhos verdes lascivos, e a correção foi posta em segundo plano.
_ Olha só, aqui neste trecho, temos que modificar umas coisas...Primeiro, não se separa o sujeito da oração e o predicado por vírgula...
_ É mesmo, deixa eu ver, onde é?
_ Bem aqui _ Ela disse apontando a tela do notebook _ Retira essa vírgula daí...
Ele a olhou tão profundamente que ela sentiu-se ruborizar...
_ Então eu sou o sujeito, e você o predicado cheio de predicados...e esta mesa..._ ele empurrou a mesa e correu sua cadeira até ela, de modo que suas pernas ficaram entre as dele _ Esta mesa é a vírgula que está nos separando...
Trêmula e com o coração acelerado, ela cedeu aos carinhos que as mãos ousadas dele proporcionavam. As bocas se procuravam e procuravam mais que bocas, as carícias tornaram-se intensas e sensuais. Não se preocuparam com o local onde estavam, afinal qualquer um poderia entrar e flagrá-los aos beijos na mesa da biblioteca.
Vozes no corredor denunciaram o perigo e ele se afastou.
Voltaram à correção ofegantes e descompostos, camisa desabotoada, cintos soltos, zíperes abertos...Ela prosseguiu com a leitura do artigo, tendo uma mão que se movia e que não era a sua, estratégicamente pousada em sua perna na altura da coxa...
_ Tá vendo? Aqui...lê em voz alta o que você escreveu.
_ Hum, tá estranho isso né? Não foi isso que eu quis dizer na frase. O que tem de errado minha revisora predileta?
Ela sorriu e respondeu:
_ Se você concordar o verbo com o sujeito, o texto ganha coerência, fica coeso. Você não está usando os tempos corretamente. Ão é futuro e Am é passado...
_ Então o problema aqui é o tempo?
_ É sim. _ Disse fazendo as alterações necessárias. _ O verbo indica a ação do sujeito, então os dois têm que concordar quanto ao tempo utilizado...
_ E você concordaria com o sujeito aqui se ele te pedisse um tempo no futuro?
Ela sentiu-se ruborizar novamente e disse entre sorrisos e olhares tímidos:
_ Concordaria em gênero, número e grau.
Os olhos dele enxergavam seus desejos,e com sarcasmo e ironia na voz disse:
_ Vou com você pra onde não existam "vírgulas" nos separando, e te darei no presente algo pra se lembrar no futuro...
Ela concordou com um sorriso nos lábios e o desejo nos olhos pensando... "Uma correção ortográfica pode levar as pessoas a cometerem loucuras..." E o beijou novamente...mas esse beijo estava carregado de pontos de interrogação que seriam respondidos no tempo certo, sem pressa e sem receios...apenas desejos realizados.

28 de novembro de 2010

Quando será a "Noite da purga sangrenta"?

Vou mandar todos os meus demônios para o purgatório nesta noite e abrir espaço pra você. Vou me libertar deles e ser somente sua.
Quando eles forem expurgados estarei pronta pra gozar com a alma como eu quiser.
E eu quero agora! Quero como louca!
Como quem deseja sangrá-la e ver escorrer dela o sentimento de devassidão escondido. Vermelho e vivo. Tornando minha pele branca ruborizada e quente.
Um crime contra a minha humanidade que deixará de existir, será dizimada pelo meu desejo, atacada pelos dentes de um vampiro ébrio.
A sobriedade não tem lugar nesta noite, estaremos embriagados de vinho e luxúria, querendo a mesma coisa ao mesmo tempo, um anagrama de nós mesmos. A mistura do mesmo tornado diferente. A decomposição em linha reta de um poema antigo ou de uma música triste que traz melancolia aos momentos de solidão.
Quero sentir e quero sentido para o que sinto. Mais do que isso, quero ser sentida.
Farei uma festa no meu inferno que será a tua cama, a transformarei no jazigo do meu presente e ressuscitarei nela o meu passado, trarei das profundezas dela o gosto de você para lembrar do tempo que me tornei notívaga por sua causa. Das noites que te esperei, das que veio e das que não veio compartilhar comigo de momentos nossos.
Nesta noite serei expulsa de mim e me tornarei o que você é, sentirei o que você sentir, tornarei sua vida meu inferno e você meu único demônio serei dominada pela lascívia que você emana, e te farei perceber que o inferno é onde eu estiver, e que é lá que você deve estar para mim.

Parafraseando o Blue Bird


No meu coração existe uma Fênix. Ela morre todos os dias e renasce de suas cinzas a noite.

Ela é mais forte do que eu porque eu morro um pouco por dia...

A Fênix bem que tenta sair daqui, mas suas amarras não a permitem alçar vôos, então eu peço para que ela não fique triste.

Sei que ela está lá, e a deixo sair quando todos dormem, então ela voa pra longe do meu caos, e me permite acompanhá-la, vamos para onde a alma está...

Por isso não permito que as pessoas a vejam, me culpariam por aprisioná-la em mim e eu seria obrigada a abrir mão dela e dos vôos que fazemos juntas...

Quando ela se cansar de mim e se libertar, poderei então me sentir livre também...

Enquanto isso não acontece continuo usando máscaras durante o dia e a devassidão durante a noite.

Passei a noite com você.

A alma esteve nos pensamentos dele esta noite , nas suas lembranças...a cada copo, a cada tragada era nela que pensava, que lembrava...
Durante uma madrugada boêmia, cercado de amigos, era a ela que desejava, era a companhia dela que queria.
No banho, suas mãos percorreram os caminhos que as dele percorreriam, com maestria, com o conhecimento de quem percorre o mesmo caminho sempre, o caminho que conduz ao estado Dionisíaco, e a água levou embora o vinho de Baco que escorreu entre as pernas sentindo falta da boca dele...
Seu chamado é ouvido pois ele deixou as janelas abertas, ela o sente presente a cada tecla apertada, cada mesnsagem é como um beijo dado, e são tantas, que os beijos tornam-se mais intensos, mais fortes... Beijaram-se e sentiram-se a noite toda.
A alma pode senti-lo, consegue tocá-lo, e o deseja mais, como uma fera que deseja saciar a fome, a alma dilacera seu corpo, o cerca, o encurrala em seus devaneios mais devassos, torna-o vulnerável aos seus desejos, e ele os realiza, faz dela sua escrava, e com os joelhos doloridos ela pede clemência implorando submissa que ele sacie sua sede...Molhada de suor e êxtase, espera, sente... a presença daquele que transformará seus sonhos em fatos reais e sublimes...

27 de novembro de 2010

À pia repleta de louça...

Ela está lá esperando pelas mãos que te tocam e te sentem aqui, como se tocassem um violão que choraria tímido e maravilhosamente Evangeline para nossas almas, eu a sua e você a minha.
Restos se decompõem em mínimos múltiplos comuns nela, assim como mínimas e múltiplas são as chances dessa história não ser escrita.
Pra que enxergar o que se pode sentir, sentir é tudo!! Não há visão que supere o sentimento, o desejo, a vontade incontida, não é preciso ver, além de ver se enxerga com a alma e mostra-se isso...
Que seja em lençois de cetim, azuis como o céu, ou em cima da pia repleta de louça, o que importa é o que fazemos e como é feito, entre beijos e sussurros, entre mordidas e unhadas, sim porque as unhas não mais serão roídas, não haverá mais necessidade de abafar os gemidos causados...
E a pia continuará ali, repleta de louça, porque as mãos se esquecerão dela e lembrarão apenas de acariciar cada centímetro dele, como se tocasse cada acorde de Evangeline, linda, todos os movimentos serão para ele, os restos que sintam a decomposição e se multipliquem como os momentos que passaremos juntos em breve...

O mar


Às vezes paro para refletir se tudo o que se passa, tudo o que idealizo, tudo o que desejo, vale a pena; e respondo quase que instintivamente com as palavras de Fernando... o Pessoa..."Tudo vale a pena se a alma não é pequena".

Se fosse fácil não teria graça não é mesmo?

A vida trata de nos fazer construir castelos onde jamais entraremos, e ela mesma se encarrega de destruí-los, tomada pela fúria que levanta as ondas mais devastadoras, lava a alma da alma, que continua seguindo seu caminho, pisando as areias fofas como se pudesse tocar o céu com as mãos... Mas lhe falta altura... A alma sente-se, e é ,insignificante diante do mar de possibilidades que se abre diante dos olhos dele...

Tão natural, tão simples, mas inatingível para ela... "...Oh mar!! Quanto de teu sal são lágrimas ..." Mas não há coisa ou fato ou até mesmo consequência, que desvie seu foco, ela quer tocar o céu com as mãos, e quando deixar de ser insignificante isso acontecerá. Então o sorriso se desenhará em seus lábios e tudo será único, pois seu maior segredo está em sentir, e sentir é tudo!

26 de novembro de 2010

É assim? Será?

O caldeirão da cozinha do inferno ferveu durante o dia e transbordou hoje à noite , trazendo consigo o odor da podridão.
Os rostos contorciam-se pelo olfato incomodado, as pessoas borbulhavam, transpiravam, as mãos tocavam os rostos em desespero... até que o alívio veio do céu em gotas frescas de água e fumaça.
Não foi dessa vez que tudo se incendiou... apenas a alma continua com uma brasa acesa nela, ardendo, mas nenhuma bunda serviu de arrimo ao desespero de um cacete mal amado de meia vida.
As latas cheiravam mal, cheiravam gente cozida em molho de sal e ácido úrico, as roupas úmidas, os cabelos crespos pingando creme, pés imersos em esgoto...tudo incomodava e ofuscava o brilho dos olhos verdes que buscavam alguém no meio da podridão, alguém que nunca está ali, que não cabe no cenário de horror do caldeirão.
Todos os que carregam o luto no corpo e a guerra nos pés atraem os olhos verdes, hoje pintados de negro como as unhas, por mais de uma vez, porque é assim que ela o imagina... O relance engana e frustra a alma, mas ela persiste e insiste em encontrar... e continua se frustrando porque ele nunca estará lá. Não como a alma o quer.
Olhares se cruzam, bocas proferem obscenidades à ela, e a alma segue seu caminho em busca de salvação.

24 de novembro de 2010

O êxtase

Sexo regado a leite condensado e chocolate com morangos, línguas excitadas que percorrem um caminho desconhecido como se conhecessem cada centímetro deles, vinho tinto e seco que provoca os sentidos deixando o corpo leve e a cabeça vazia, mãos que exploram e desenham paisagens lúbricas, bocas que se abrem e não dizem nada, olhos que se fecham e dizem tudo, calor, ardor, sensações molhadas que escorem pelos dedos ou nos cantos da boca que alterna seus movimentos entre mordidas, beijos e uma sucção leve e constante, fontes que jorram um líquido quente deliciosamente colocadas no lugar certo, em movimentos ritmados e sensuais, aguçando o desejo, a sede de sentir o calor, o gosto, o cheiro...Costas que se arqueiam em espasmos involuntários, pernas que se abrem e abraçam, querendo prolongar o momento...Gemidos abafados, travesseiros apertados... E por fim o torpor, a calma e a sensação de plenitude... dois corpos em um só.

23 de novembro de 2010

Misericórdia.

Todos seguem seu rumo desorientado em busca do nada, do caos...miseráveis dormem sob o céu negro acinzentado, banhados pela garoa que esfriou os caldeirões da cozinha do inferno.
A sinceridade das pessoas ao não olharem a sua volta é mais miserável ainda. Olhar pra que? Afinal a culpa não é de ninguém, é a vontade de Deus.
Quantos filhos de Maria estão deitados no chão frio agora? Quantas cruzes eles carregam?
Sacrifícios em prol da vida humana... "Jesus chorou porque o fizeram chorar"....a verdade nua e crua. Nua como uma vadia numa cama qualquer, crua como o desejo que ela sente.
Mentiras jogadas na cara de alguém que sempre acredita...vadias não desejam... recebem para dar prazer.
"Mais que abraçá-la, abraçou-se nela"... E ela o conduziu à perdição da alma. " Ele nunca quis os poderes que foram "gentilmente" concedidos por Deus".
Almas perdem-se em buracos escuros, em becos, em terrenos baldios, em esquinas, vendem-se por qualquer trocado para comprar uma fumaça que queima os neurônios que não funcionam e os que funcionam também, ou simplesmente para alimentar um corpo que a cabeça sequer sabe o que faz ali...
Até que chegue a hora de queimar no inferno.
Que se matem então! Comam um ao outro sem pudor nem desejo, apenas para satisfazer a necessidade do corpo, para saciar a fome.
A vida expulsa outras vidas, joga com dados viciados e na sorte ou azar se sente perfeita, mas não percebe que está caindo aos pedaços, perdendo seus dedos consumidos pela lepra...O piano tocado levemente eleva a mente e acalma o caos... Quem tocará piano pros miseráveis?
Não existe misericórdia na cozinha do inferno e Jesus morreu por essa podridão que existe ali.

22 de novembro de 2010

Onde está o perigo?

Tudo que é divertido é perigoso. Sky coaster, Bunggy Jump, Rapel, Rachas, Roleta russa, um pico, um pó branco, doses verdes, tudo é divertido, e tudo é perigoso...
O perigo instiga, seduz, nos faz querer saber o quão divertido aquilo pode ser, quanta adrenalina pode causar, quantas senseções diferentes, alucinógenas, que fervem o sangue, ruborizam as faces e explodem em erupção como um vulcão molhando as mãos que agem instintiva e mecânicamente.
Tudo excita e conduz ao labirinto de onde não se sai tão facilmente e onde pode-se ficar perdido por muito tempo. Perder-se no meio das pernas de alguém que te instiga, te excita, te conduz ao mundo de Dionísio, serve a Baco, te provoca e se oferece numa bandeja como uma taça de vinho... é perigoso?
O que é mais lascivo? A diversão, o perigo, ou a devassidão?
Perder-se no labirinto é experienciar a liberdade de estar sozinho junto de alguém, pois a sensação é solitária, só a conhece quem a sente, o outro conhece apenas a própria.

21 de novembro de 2010

Quando a vidraça está limpa enxergamos o outro lado!

A vidraça limpa nos permite enxergar dentro da alma e satisfazê-la por alguns momentos, provoca orgasmos, delírios, faz com que as as Mênades de Dionísio pareçam insignificantes diante de tanta volúpia.
Sempre que possível há que se limpar a vidraça... É incrível como tudo se transforma quando ela está limpa. Todas as pessoas podem ser vistas, todos os desejos são revelados através dela.
A alma se toca, se sente e faz sentir, se mostra nua, revelando-se, convidando, instigando à espera de um agora que demora...
Mas não há pressa, só desejo...
Sem pudor ou remorso provoca reações físicas comparadas ao estouro de uma champagne quente e lúbrica que escorre no canto da boca deixando uma sede ali.
Baco é seu deus e só à ele ela se prostra e caída de joelhos pede mais e, quando saciada, entrega-se aos braços de morfeu até que o succubus nela a desperte novamente, mais devassa ainda, em busca do que se alimentar...E basta olhar para o lado que o alvo de seus desejos mais lascivos se rende teso e termina com sua sede até o último gole...

20 de novembro de 2010

Somos nossos piores inimigos

A vida é breve demais para nos preocuparmos em sermos socialmente aceitáveis, sempre e nunca não existem...o que existe é o hoje, o agora, ...se não chover, se eu sair mais cedo, se der... não espero nada de ninguém , como dizia meu anjo, se esperasse de certo me decepcionaria...e de fato me decepciono. Espero demais das pessoas.
... Acredite, saiba esperar..., foi o conselho que uma amiga me deu hoje, ...eu acredito na transcendência...
É eu queria poder acreditar também, mas estou cética.
Só acredito no que vejo ou no que me provam, e o que eu vejo é um mundo sádico e nojento, uma vida podre e fétida... asco é só o que sinto por toda essa podridão que o mundo se tornou...essa imensa privada cheia de dejetos flutuando.
Pessoas dormem nas calçadas, meninas entregam-se nas ruas, em qualquer local escuro que dificulte a visão de longe, compartilham do momento com os ratos que saem dos esgotos e reviram o lixo em volta...
Homens se esfregam nas mulheres nos ônibus lotados..." Dá licença senhor... já gozou? Se não gozou anda mais rápido que eu desço no próximo ponto..." E as risadas ecoaram dentro da lata... é... a natureza humana assusta e a revolta causada na lata também... quem desceu foi ele, senão apanharia até morrer ...
É assim que tudo acontece na cozinha do inferno... queimam o pudor se masturbando em público com a ajuda de uma bunda no ônibus, queimam o dinheiro poluindo o próprio pulmão e arruinando o próprio fígado em qualquer copo, fervem suas almas entregando-a regada à vinho e recheada de filhos mortos de alguém em uma bandeja de prata no fundo de qualquer quintal para que a comam com agulhas de tricôt...
E a vida segue seu rumo, rindo da cara dos que ainda acreditam que exista paz em algum lugar perto daqui...

17 de novembro de 2010

O livro (J.P.)

Quem pode dizer que vivo?
Sentir,falar,olhar ou andar,
será essa a regra para viver?
Não possuo nada disso.
Dizem que não existo,
Se me ler, saberá que não é isto,
ando com a sua imaginação
olho com a sua visão.
Falo quando alguém me lê,
Não precisam enxergar para saber,
Como dizia Fernando...
Sentir? Sinta quem lê!

16 de novembro de 2010

Se um dia...

Se um dia escreverem a minha história, digam que vivi num mundo onde a falsidade imperava, num mundo onde o ódio sulfúrico tomava conta das pessoas e quando não as destruia deixava marcas irreparáveis.
Digam que vivi num mundo onde já não se cria em nada, e como em Edwarda encontrávamos seres torturados por conflitos íntimos perdidos em torno de suas paixões até a morte.
Um mundo tragado pela lascívia e pela luxúria onde todos tinham o objetivo de foder alguém,um mundo onde todos eram sádicos olhando o sofrimento alheio e sentindo prazer nisso, um mundo onde como o pseudo Auch disse, "o horror fortalece o desejo".
Se um dia escreverem minha história, digam que vivi num mundo onde todas as festas pareciam ser infantis com mulheres "chupando pirulito" e homens "balinha". Um mundo doente onde todos corriam atrás de "comprimidos".
Digam que vivi num mundo onde balas perdidas sempre encontravam uma cabeça inocente, num mundo onde as pessoas transformaram-se em chaminés com fumaça saindo de seus orifícios.
Se um dia escreverem em minha história, digam que vivi num mundo onde a peste negra ficou branca comparada ao ódio que se tornou o "mal do século".
Digam que o mundo em que vivi era neurótico, narcótico e caótico e que de bucólico nele só restava eu.
Se um dia escreverem minha história, digam que no mundo em que vivi as pessoas se falavam através dos dedos, que a voz do outro não era ouvida,e que o toque das mãos era no mouse.
Digam que no mundo em que vivi os beijos eram virtuais, o sexo era online, que "eu te amo" se transformou em "bom dia" e o "bom dia" chegava por mensagem de texto num aparelho móvel.
Se um dia escreverem minha história, digam que o mundo em que vivi era cruel, que privava as pessoas de se conhecerem, de se sentirem, de se amarem, de se entregarem às paixões que devoravam suas almas.
Digam que o mundo em que vivi era insano e que a vida que vivi era medíocre e forrada de "quando" e "se".

14 de novembro de 2010

Love really sucks!

When you learn to not suffer for love, you discover that there are millions of others who would love more if you knew them but we never kow...
No one truly loves, nobody really knows love.
What peopple do and feel is appropriate, and those that say they love are lying.
The truth is that all of us commit ourselves to lust hidden disires to perform moral and social prejudices. All of us want the same thing: to fuck.
I don't love anyone. I just want to fuck all men that I can have, but I still living in the moral and social appearance.
I become a bitch in the ravings of someone and I feel so fine. I use masks that protect me and I'm a lady to society and a whore in the beds of who I want.

13 de novembro de 2010

O real e o irreal, as duas faces da mesma realidade.

Nem sempre é fácil separar o que é real do que é irreal.
Algumas pessoas são extremamente religiosas e esperam que Deus faça as coisas por elas, permanecendo estáticas e sem perspectivas.
No entanto, partindo do pressuposto que "Deus sabe de todas as coisas", por quê então ele não avisa a estas pessoas que, se elas não lutarem, não batalharem o pão de cada dia, não chegarão a lugar nenhum?
A fé ajuda as pessoas a se manterem de pé, porém, algumas se prostram e não se levantam mais. Por acaso Deus carregará as sacolas por elas? Vai colocar a comida na mesa? Vai pagar as contas no final do mês?
Real, é ter que ganhar cada real para se manter e manter os seus, é buscar ultrapassar as dificuldades e se manter de pé.
Existe um Deus sim, eu acredito nisso, mas é no mínimo ilógico pensar que Ele possa fazer as coisas por nós. Se fosse assim fácil, se existisse um Deus com o poder de dar o que falta a cada um o mundo não seria miserável.
A realidade está aí, em cada semáforo, embaixo dos viadutos, basta olhar e eu nunca vi Deus entre aquelas pessoas.

A chuva começou a cair levando embora os meus delírios...


Roí a unha amor, você se importa? Eu precisava morder alguma coisa pra não fazer barulho...
Numa conversa recheada de imagens que provocavam e instigavam, uma carinha de quem queria estar onde eu queria que estivesse, cenas se formavam na minha mente me levando até você...
Imaginava sua boca, suas mãos, seu corpo todo em mim, e bebia cada gole de você com a ajuda da minha imaginação, fazia o que voce deveria e desejava estar fazendo... Naquele momento eu fui ao êxtase com você.
Senti você mesmo há quilômetros de distância e isso só aumentou a minha vontade de ter você do meu lado... em cima, embaixo de mim... contanto que você estivesse onde desejava estar...
Depois disso, restaram, a promessa de um encontro, um cigarro solitário, uns goles que sobraram da cerveja que abrandou a sede e o calor causados por você, um boa noite e tenha bons sonhos molhados, a chuva que começou a cair levando embora meus delírios e uma unha roída pra não fazer barulho...

O que eu tô fazendo aqui?

Não preciso conhecer as teorias dos psicólogos sobre a construção da inteligência nos bebês. Adolescentes de 13 anos vieram pra cima de mim com a mão levantada prontos pra me socar, me deram balas e avisaram que a próxima seria na cabeça, falam coisas que até mesmo o mais vil dos homens talvez desconheça...
Que infância esses adolescentes tiveram?
Afetividade é tudo aquilo que te afeta, seja bom ou ruim...Wallom...Ok, então a afetividade que eles conheceram na infância inteira foi porrada e palavrão? Não existem verdades absolutas...aula de psicologia - 9h - os movimentos instrumentais dos bebês mostram do que eles precisam... E o movimento daquela mão de 13 anos mostrou o que eu precisava? O que eu tô fazendo aqui? Em que conhecer sobre os movimentos instrumentais me ajudaria a livrar aquele menino do revólver que ele carregava na bolsa e que disse que o pai o autorizou a usar e do qual me deu uma bala com tanto carinho avisando que a próxima seria pra me matar? O pai dele o autorizou a me matar...quem é o pai dele? Deus? Que me mate então e deixe restos meus espalhados na lousa, manche de sangue as mãos de 13 anos e os cadernos...dançarei valsa no inferno e voltarei para atormentar seus dias mais felizes...
Tem momentos que meu Eu lírico aflora e eu escrevo textos lindos e poéticos...mas tem momentos que minha caneta toma vida e eu quero mandar tudo à merda...a afetividade é tudo o que nos afeta...

Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho,
Cada momento mudei,
Continuamente me estranho,
Nunca me vi nem acabei.

De tanto ser, só tenho alma,
Quem tem alma não tem calma,
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é.

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu,
Cada meu sonho ou desejo,
É do que nasce e não meu.

Sou minha própria paisagem,
Assisto a minha passagem,
Diverso, móbil, e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso alheio vou lendo,
Como páginas, meu ser
O que segue não prevendo,
O que passou à esquecer.

Noto à margem do que li,
O que julguei que senti,
Releio e digo:Fui eu?
Deus sabe, porque o escreveu.

(Do outro Fernando...Pessoa)

12 de novembro de 2010

Como alguém se torna o que é?

Como alguém se torna o que é?
Eu poderia responder dizendo:"Sendo e sentindo", mas como é que se é o que se torna? Por mais que eu tente não consigo te decifrar, talvez eu até interprete, mas decifrar não...você é uma incógnita e as reticências na minha vida hoje.
Acho que não sou a única a fazer uso de máscaras para encarar o mundo não é?
Desfaça essa carinha...não tô te criticando, adoro seu jeito de ser, mas esse que você diz ser não é você, tenho quase certeza disso.
E quando o "quase" se dissipar, na fumaça do meu ou do seu cigarro, as coisas mudarão entre nós, seja através de palavras ou de copos de vinho, um dia seremos eu e você e ninguém mais...apenas duas almas embriagadas e viciadas sendo e sentindo um ao outro, se entregando às ideias loucas e provando o gosto do vinho na boca um do outro, molhados de vinho, de chuva, de banho, de reticências...Molhados e exaustos, deixados levar pelo êxtase e pela luxúria, sem pudores ou medos, e principalmente sem mascaras.
Eu liberta de mim e você liberto de si, apenas sendo e nos sentindo nós...

11 de novembro de 2010

Por hora, isso me basta.

É engraçado pensar como sempre que algo bom, inusitado e que eu quero muito está para acontecer, surge algo que atrapalha.
Nunca imaginei que isso me afetaria tanto, mas afetou. Não estou chateada, a palavra não é esta...Já imaginava que não aconteceria, já previa como numa espécie de Dejavù inconsistente.
Mas, para seu delírio, ou não, estarei ao seu lado de uma maneira ou de outra, acredite.
As almas nunca se separam e em algum momento acabam por se encontrar, e eu estarei sempre te esperando, aqui ou na Espanha...talvez até em Passárgada do Bandeira...
As palavras e os sentimentos contidos nelas continuarão tendo a mesma importância e eu ainda serei a única capaz de te interpretar...querendo ou não, você estará sempre ligado a mim.
Sinta... continue sentindo... Isso me basta...Por hora.

10 de novembro de 2010

Elucubrações

Continua tudo igual,o mundo cai na cozinha do inferno novamente...chove torrencialmente, e eu estive em baixo das pedradas e da chuva, apesar do frio que sentia e de ter ficado transparente, me senti de "alma molhada", e lavada literalmente, por aproximadamente 40 minutos, pude esfriar minha cabeça com a chuva que parecia levar embora os problemas, o cansaço, a saudade...por alguns minutos estive só comigo mesma e introspecta pude avaliar e reavaliar minha visão das coisas que vêm acontecendo.
Sim, estou louca!
Sim, quero viver insana e intensamente os dias que virão!
Não, não tenho mais medo de nada...
Ser, sentir e viver, serão meus verbos e meus ideais agora.
Que venham estes dias que prometem insanidades!!!

9 de novembro de 2010

Um balde de água fria daqueles!!!!!!!!!

Tem um ditado que diz que decepção não mata, ensina a viver...será?
O que fazer quando suas expectativas vão embora pelo ralo junto com o banho? Nem todos os dissabores vão junto, é uma pena...engraçado pensar que dois dias atrás o banho foi diferente, trazia ideias loucas, não imaginava que o banho hoje as levaria embora.
O dia exaustivo, os problemas no trabalho, os alunos gritando, os filhos doentes, uma gripe que tá acabando comigo, uma vida medíocre...nada disso me impede de pensar em você. Tô com saudades...

7 de novembro de 2010

O medo mora perto das ideias loucas...


Tenho coisas a contar para você...estou com medo, medo de ser "reprovada", medo de não passar no controle de qualidade, medo de me despir das máscaras e ser só Eu...Mas a ideia louca de fazer isso ainda é mais forte que ele (o medo).

Não sou uma adolescente (ainda bem... pq pedofilia é crime!), sou uma mulher feita de cacos que precisam ser resgatados um a um , e isso não é uma tarefa fácil, me transformei num quebra cabeças até para mim mesma...nem eu mesma sei onde começo e onde termino.

Ainda está em tempo de parar com todo esse jogo de gato e rato, onde um caça o outro o tempo inteiro, mas nem eu nem você nos achamos nunca!

Os anjos, ou os demônios, têm conspirado contra nós, nem mesmo os cabos funcionam rsrs...será um presságio? Será o destino que não nos quer ver juntos?Será que a razão quer falar mais alto que a tentação e estamos tendo ajuda de algo que não sabemos o que é para por um ponto final nisso que nem começou?

Se for, ela ( a razão) vai ter que gritar muito porque não estou afim de ouvir o que ela diz...

As afinidades são muito grandes...os pontos em comum também são, as vontades incontidas então...nem se fala...

Minha outra vida está me chamando...e eu estou querendo tanto!!! (plágio...rsrs)

Eu quero sentir as ideias loucas sem sentir o medo...sei que você também quer tanto quanto eu, colocar esses anjos ou demônios que conspiram contra para correr para bem longe... e ter ideias loucas junto comigo ao menos uma vez...

Que deixemos então o vinho nos fazer mais loucos ainda!!

Um brinde às ideias loucas!!

Tim Tim.

6 de novembro de 2010

O terminal

Estou esperando o tempo passar, vendo as pessoas passarem por mim, sempre os mesmos rostos que me são familiares, as mesmas pessoas, o mesmo horário...Risos altos incontidos pelas cervejas a mais, pelas piadas sem graça...Mulheres vulgares que se exibem, homens excitados que as observam, típico de sexta-feira à noite, e eu sem conseguir imaginar algo que me faça rir como eles, algo que me faça viver uma sexta-feira à noite.
Olho o relógio, as horas parecem não passar, o tempo rasteja...espero uma ligação que não vem, uma mensagem que não chega e o tempo passar...
O mundo caiu na cozinha do inferno hoje, o trânsito ficou caótico, nada anda nesse lugar, nem mesmo os ponteiros do relógio.
Deviam proibir o uso de celulares no terminal, afinal eu não preciso saber da vida alheia, não me interessa e o cara no telefone não fala; grita aos quatro cantos daqui e de além a fase terminal do câncer do pai... E o ponteiro não se mexe, ele continua gritando e os olhares se voltam para ele...O taxista reclama que ficou duas horas parado no congestionamento sem poder cobrar a corrida porque o taxi estava parado...O taxímetro correndo e o taxi parado como os ponteiros desse relógio infernal...
As reações humanas chocam, um casal se beija como se quisessem engolir um ao outro, crianças choram, mães limpam o nariz dos filhos nas blusas, idosos cospem no chão aquilo que conseguem retitrar parece do estômago...uma ânsia me vem à garaganta, respiro e continuo esperando o tempo passar.
Todos seguem seu caminho na sexta-feira à noite, uns sobem outros descem as escadas e eu permaneço parada, sentada e com minha vida nas mãos...o que seria de mim agora sem minha caneta!

1 de novembro de 2010

Convite à insanidade


Você me revela, me mostra a mim mesma como eu sou, fala sobre mim como quem tem ciência absoluta do meu Eu...

Você tem um dom...o dom de me decifrar, de me fazer me oferecer como num convite à embriaguez, como quem oferece uma dose de vinho ou de qualquer coisa...te convido então...

Vem? Aceite meu convite.

Desvende os segredos aqui contidos por trás de palavras mal escritas e noites mal dormidas, seja o eleito e faça a eleição virar erupção...

Esqueça por um momento eterno o que separa duas almas no firmamento dessa terra e aja como se eu fosse o último gole de vinho da sua noite, me sorva e saboreie como a última vez que será apenas a primeira...

Seja e sinta-se o eleito.

Mostre-me o que te impede se ser o que realmente é, seus demônios internos por trás do rostinho de anjo, ocultos por asas tolhidas por si mesmo, desfocados pela fumaça do cigarro que traz companhia nas noites solitárias...

Eu , o vinho tinto e seco que desce suave e lentamente para dentro de você, traria a calma e a languidez de uma pétala caindo, e depois o torpor tranquilo das sensações no corpo inerte e cansado...

Insano?? Talvez, mas a sanidade nada mais é do que a mesmice e a mediocridade da minha vida.