15 de julho de 2016

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Eu sou uma menina
Apesar dos meus quarenta anos
Apesar dos vários amantes que tive
Apenas uma menina

E eu sou uma menininha
Uma pequena, uma doninha
Penas de cotovia
Só uma menininha

Meus filhos contestam meus apelos maternos
Mas eu me defendo
E continuo uma menina
Apaixonada de momento
Jogo-me aos tormentos

Minha alma contesta os apelos da minha pele
Eu sonho agora
Porque sou só uma menina
E volto nas costas do tempo
Cabelos compridos ao vento

Uma menina que sonha.

11 de julho de 2016

Apenas delírios

Existem coisas que devem ser feitas para que o passado seja devidamente enterrado, nada de adiar mais o que é essencial para que a caminhada prossiga. Fazer as pazes com seus fantasmas é essencial, ainda que disso dependa sua paz interior.
O que é melhor, fazer o que tem vontade ou ficar desejando fazer aquilo por anos a fio? Porque absolutamente tudo o que te preenche de alguma forma, fica ali dentro, principalmente se foi verdadeiro, vivido em profundidade, não passa a menos que você faça com que passe. Ficar imaginando o “se” é torturante uma vez que aquilo que está acomodado em você, vez ou outra se mexe, te cutuca  te fazendo lembrar que está ali, que o  desejo existe.

Wilde já disse que a única maneira de livrar-se de uma tentação é ceder a ela e que cada impulso que tentamos aniquilar, nos envenena. É exatamente isso o que acontece, quando se é envenenado e o antídoto é ceder, ainda que demore. Quando conseguir se livrar dos monstros em sua cabeça através do corpo, tudo se torna mais fácil, até mesmo o esquecimento. O remédio para todos os males é um excelente orgasmo. Cura tudo, inclusive o passado.