26 de fevereiro de 2011

O fundo do poço.


Os olhos enxergam... Mas na maioria das vezes, tomados por uma cegueira voluntária e inconsciente, deixamos de ver várias coisas, ou simplesmente, criamos ilusões de ótica tentando amenizar a realidade do que não se quer, definitivamente, ver nem sentir.

Quanto mais se tenta, menos se consegue, talvez seja esse o segredo cármico de almas perdidas buscando em escritos bucólicos redenção e conformismo...

Quando não há mais soluções plausíveis ou sequer a esperança de buscar a continuidade, não há mais motivos em ser e sentir.

E é nesse momento que a vida abre-se em flor pra mostrar que ela está ali, precisando apenas de um pouco de água e da luz do sol.

O ângulo oposto é o segredo do fundo do poço... Ele não passa de uma chaminé ao contrário...

23 de fevereiro de 2011

É só um jogo de esconder... a verdade.


Um coração não é uma pedra. E é frágil, muito frágil quando está só.

Promessa é só uma palavra que quando é dita baixinho não é ouvida, sequer sentida, e muito menos faz sentido...

Que sentido existe em sentir? Que razão há em sentir-se o que se é ou em ser o que se sente?

Um vazio constante em busca de redenção, alguém que está no fundo do poço e pode ser a água que emana dele pra saciar a sede de outra pessoa, mas de quem?

Um abismo, um eco do que foi um dia, apenas um reflexo de um ser pleno e feliz... Turvo...

Como a face de um palhaço numa parede sem janelas, sem ar nenhum, assombrando o pouco de lucidez que resta na loucura de ser ou estar só...

O que fazer para ignorar os que não estão?

Esconder o orgulho desses pesadelos e mergulhar nos pensamentos tristes que fazem enlouquecer?

Sentar e ficar parado ou acreditar em algo e ser enganado pela falsidade?

Não confiar em ninguém e viver na solidão...

Fazer os movimentos certos é como estar perdido dentro deles, é como dar a tacada diária e terminar se ferindo novamente...

22 de fevereiro de 2011

15 minutos


Cada momento da vida é precioso. O engraçado é que nos damos conta disso apenas quando estamos com ela por um fio...

Por mais calma que se tenha, a possibilidade da morte ali, cara a cara, assusta, apavora, nada do que se pensa que seja a morte, uma passagem, uma travessia, ou que não é o final, que existe uma vida transcendente após ela; nada disso funciona pra acalmar.

Se acreditar que vai morrer surta mesmo... imagina tudo de ruim, quem vai deixar, o que não vai mais fazer, quem vai chorar por você, quem vai cuidar dos que você ama, quem vai agradecer seu passamento... Fiquei 15 minutos lutando pra fazer o ar entrar nos pulmões e consegui pensar em tatas coisas...o que me matava aos poucos não era a asfixia, era a solidão.

Foram os 15 minutos mais longos e mais solitários de toda a minha vida...

19 de fevereiro de 2011

Só é alaranjado quando está amanhecendo...


Tudo volta ao normal no caldeirão do inferno, a fantasia e a mediocridade voltam à tona a cada borbulhar dos sonhos que não estão aqui.

O cenário não mudou, quem o observa é que muda, nada tem o mesmo tom acinzentado de antes, ora mais claro, ora mais escuro... o cinza também não é o mesmo, e as cinzas estão por toda parte fazendo lembrar que o resto se queimou.

Amanhece através das janelas da lata, exatamente duas horas de vida perdida lá dentro... e a troco de quê? O que se vê e se ouve é absurdo, algumas coisas até fazem sentido, mas a lata não passa de um "flea market" ao pé da letra, onde todas estão sendo adestradas.