23 de setembro de 2013

Armadilha

hoje um amor é esperado
ao cair da tarde
invento a casa
cada objeto em seu silêncio
arrumo as sombras  os pássaros os medos
faço com as palavras que direi
uma armadilha suave

fico imóvel por vários séculos



7 de setembro de 2013

Abrir mão de amar.


     Amar não é pra qualquer um. Amar exige tempo, exige abrir mão, exige dedicação. E nem sempre se quer ou se pode naquele momento específico, doar tempo, abrir mão e se dedicar a outra pessoa. E há pessoas que simplesmente não sabem amar – ou não querem amar. Acham amor um fardo muito grande, pesado, sofrido e arriscado demais e então usam o termo “abrir mão” para se sentirem altruístas, ou parecerem altruístas aos olhos alheios.
      Direito delas.
     O amor tem dessas coisas – é preciso estar preparado pra cair. Cair de cara. É como o artista que, depois do auge, tem que estar preparado para despencar. Poucos têm o privilégio de se manterem no topo durante a vida toda – o universo, geralmente não permite. E quem se decepciona não se permite amar de novo. Respeitável. Só que, não querer amar, ou não querer se entregar ao amor, não implica em não se envolver em relações pessoais. Os não amantes dessa categoria geralmente gostam de se relacionar, mas não querem amar. Param sempre antes desse ponto. E machucam – mesmo que sem intenção. Porque, acredito eu, que a maioria deles não tenha intenção de sair por aí magoando pessoas. Difícil recriminar os que fazem essa escolha. Porque, como disse antes, o amor pesa, machuca, exige, dilacera, afinal, as experiências, quando vividas sozinhas, perdem um pouco da graça. A graça maior está em compartilhar. É uma escolha pessoal.
      Mas, como na vida o livre arbítrio é sempre defendido – mesmo que nem sempre respeitado – me reservo o direito de dizer que acho que a vida vale muito mais a pena,quando existe amor. Amor daqueles quentinhos, de aconchego, de conforto.
      Sou uma viciada em amor. Amo pessoas que nem conheço. Amo cachorros quando olho dentro daqueles olhinhos. Amo plantas, quando relembro o milagre que elas são. Amo, porque sou viciada nos efeitos que só um amor, daqueles bem profundos, propicia. Já caí, chorei, morri de dor por amores. Mas, no final, sempre achei que o sofrimento valeu a pena. Obviamente, não no calor da dor – naqueles dias em que se acha que tudo está acabado e quando o próximo sorriso parece ser a coisa mais utópica do mundo. Mas ele sempre vem. E, junto com o retorno do sorriso, vem sempre a vontade de amar de novo – porque, quem sente uma vez, dificilmente consegue largar o vício.