29 de janeiro de 2012

Talvez...

Talvez eu escreva sem pretensão de que  leiam,
e aí talvez as palavras fluam de mim
como as lágrimas que teimam em rolar.

Talvez a noite que vive em meus dias se dissipe ainda,
e aí talvez o sol brilhe
em meus olhos como nunca antes.

Talvez os minutos que se arrastam acelerem,
e aí talvez durem apenas
os sessenta segundos que deveriam.

Talvez o tempo, que é longo demais sem você, se acabe,
e aí talvez eu possa enfim, apenas dormir à noite
sem o fantasma que assombra minha alma.

Talvez a solidão se canse de mim,
e aí talvez eu sinta a presença que espero
há tanto. A ausência do sentir.

19 de janeiro de 2012

O meu lugar está em mim.

Caminhando pela vida sigo
Por um caminho sem volta e irrecuperável
O que passou não faz mais sentido
O que está por vir ainda é segredo
Quisera poder fugir
Para onde não hovesse tristeza
Silêncio
Decepção
Dor
Onde a saudade
Não me pusesse as garras
Onde a alma se libertasse
Das amarras
Um lugar onde as lembranças
Não fizessem diferença
E onde não existisse a descrença
De que o lugar existe
Distante
Inatingível
Alheio
Dentro de mim
Intacto
Inexplorado
Inacessível
Coração!

16 de janeiro de 2012

Sem tempo

Fez-se a hora dos horrores
Acabou-se o tempo das flores...
Murchas e caídas como a vida dos miseráveis
Fenecem no caos das ruas molhadas pela chuva
Ouvindo o grito sonoro da escuridão.
Badaladas de tempos em tempos
Sinalizando o fim...
Pela janela vejo passar o tempo
Quanto tempo?
O tempo que ainda há em mim...

14 de janeiro de 2012

Eu Nulo.

Ausente das sombras que me seguiam
Caminho no dia claro.
A luz não mais incomoda ou afugenta.
Emocional e intensa
Confusa e desorganizada
Borderline...
Me deixe sangrando!
O vazio e o tédio persistem
as sombras voltam...

7 de janeiro de 2012

Os companheiros que fazem minha solidão feliz...

A escuridão, o silêncio,
a fumaça que me mata aos poucos,
os livros... Todos dentro de mim.
Buscando aliviar a dor
que antes era bem vinda e agora
não passa de dor,
caminho quieta no escuro,
página após página,
linha após linha,
nesse emaranhado no sense
que se agrupa em capítulos de mim...
Sem um fim, 
o livro permanece fechado.
Um dia quando quiser me ler,
quem sabe eu me abra,
afinal, livros e olhos fechados
nunca dizem nada.

4 de janeiro de 2012

Não é preciso estar só para sentir... Solidão.

Niilista demais
Estou, sou e me sinto só
Ainda que cercada de gente por todos os lados
Não passo de uma ilha.
Gostaria de ter algumas verdades
Mas hoje me sinto ignorante sobre tudo.
Onde está a verdadeira poesia das coisas
Lá está minha alma
Dilacerada em versos metrificados
Presos por decassílabos malditos
Que se transformaram em grilhões.
Solitária, a canção não é mais ouvida
Ausente, o coração não é mais sentido
       Imenso, o mundo me amedronta
Mas o perigo me instiga.