Talvez nem mesmo seja possível responder com exatidão ou em conformidade com o que se deseja ler como resposta, mas a saudade é um sentimento ambíguo, sente-se saudade de um tempo, de uma história da infância, daquela calça jeans que não serve mais, ou do corpo que se tinha quando ela servia, dos sapatos que se gastaram, mas que eram extremamente confortáveis, da boa e velha camiseta que usava pra dormir há anos, da sopa da avó que se foi, dos beijos do avô que partiu, do sorriso de um amigo querido que virou estrela, do som da chaleira da mãe avisando que o café tava quase pronto, daquela música que lembra alguém especial, do cheiro da brisa do mar, que sentia na praia quando esteve lá da última vez...Sente-se saudade o tempo todo, mas a pior delas é a saudade do que ainda poderia estar acontecendo hoje e não está. A saudade do que se foi pra sempre,dos que se foram pra sempre, de alguém que nunca mais estará diante dos olhos mas que estará pra sempre no coração... na alma.
Essa saudade serve para que tente-se ao menos amar incondicionalmente quem está conosco, seja um amigo, o pai, a mãe , filhos irmãos, professores, alunos... todos os que são queridos e que muitas das vezes não são "pensados", antes que virem fertilizante de narcisos.
Não se trata de um amor ferrenho, com descabimentos e angústia ou sofrimento, trata-se aqui de um amor que o ser humano, em sua grande maioria, desconhece. O amor que dá sem receber, que não se acanha em ofertar sem esperar a troca, o amor que te faz dar esmolas no portão de casa, que te faz doar um livro pra uma criança carente, um litro de leite pra um bebê que não tem um lar, uma cesta básica pra alguma instituição de caridade, não apenas para abater do imposto de renda, simplesmente por amor ao próximo. Esse amor que te faz chorar vendo uma matéria de violência infantil, que te faz repudiar o jornal da record por noticiar só tragédias... Esse amor tem um nome: Ágape.
Nenhum comentário:
Postar um comentário