“Como eu poderia morrer sem provar uma bomba de nozes?”
Realmente são deliciosas, como a boca de pêssego com sabor
de cereja e eucalipto, como os olhos doces amendoados e amargurados que me
observavam, como o Peter Pan que não queria crescer no corpo do homem que tinha o sonho de criar
asas através de uma reação química.
Os sons que nos cercavam
eram passos apressados para as
latas em frente e atrás de nós, sempre a pressa... E a pergunta que não calava
nos olhos era: “ Como eu poderia morrer sem provar uma bomba de nozes?”
As pessoas iam e vinham de lugares alheios aos nossos
sentimentos, os meus estavam em você, e os seus estavam somente na bomba. A sua
boca saboreando o doce causava delírios
quais os de Clarice em seu “ livro dos prazeres”. “_ Como uma mulher inteligente como você pode
dizer que não gosta de Clarice?”
Sou grata por esta questão, afinal foi ela que me fez apaixonar-me
por Clarice e sua Macabéa e enxergar tamanha beleza em tanta tristeza. Também
foi Clarice que te levou a confidenciar a mim um recado apócrifo de alguém que
havia sido suprimido por você em mágoa por traição.
“Como não consegue escrever? Se fosse outra pessoa, eu aceitaria, mas você
escreve bem pra caralho! Existe paráfrase pra que porra!?”
Esta também foi uma pergunta que não vou esquecer nunca. Do
seu jeito “sutil como uma patada de elefante” você me fez acreditar que seria
capaz.
“Como assim por que eu não falei com você? Tinha alguém
entre suas pernas.” Realmente tinha
alguém entre minhas pernas, mas não como você imaginou.
Foram tantas perguntas que ficaram sem resposta, tantos
desejos sem serem saciados. Desejei ser aquela bomba de nozes e me acabar em
sua boca... Mas a realidade da lata que
corria em direção oposta nos separou naquela noite, como nas outras passadas e
futuras, como na vida que me privou de ser apenas uma bomba de nozes.

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